domingo, 13 de maio de 2012

Ser humano e saúde: um novo olhar


As dificuldades com a saúde pública, o cuidado com o bem estar de nosso povo não são particularidades da sociedade brasileira. São questões mundiais, salvo raras exceções. Também é visível que a crise não é restrita a este tema. Temos dificuldades de emprego, de moradia, de transporte e, principalmente, na educação de nossos cidadãos. 

De qualquer forma, o ponto crucial, a questão mais profunda não é restrita às propostas, às políticas públicas, ou às decisões governamentais; mas, sim a como o homem continua se olhando, se colocando dentro de sua casa – no seu planeta. Vive ainda mergulhado em uma perspectiva mecanicista, sem entender que as coisas estão inter-relacionadas, que se encontram, na natureza, de uma forma mais integrada.

O ser humano não se dá conta de que seu olhar não percebe ainda o mundo de uma forma holística, inteira, apesar de escrever, discutir e falar desse jeito.  É claro que essa visão de vida também está presente no seu cotidiano, na esfera privada, de cada sujeito. E, possivelmente, ele também repete essa perspectiva dissociada, esquizofrênica na relação consigo mesmo. Nas suas relações, nos eventos de seu dia-a-dia, reproduz essa realidade, distorcida, dividida, vivendo apenas apegado a uma polaridade, impedindo seu crescimento como ser humano.

Suas experiências acabam não sendo nutritivas, não alimentando sua vida e as relações com os outros. Sua energia se dispersa, se esvai em sua luta com  as partes que não aceita em si. E, como o corpo é a base de qualquer experiência, é ele que vai dar o aviso quando alguma coisa não está bem. Pois, é o corpo que usamos para buscar no ambiente meios para satisfazer nossas necessidades e para inter-agir com nosso entorno social. É o corpo que vai nos sinalizar o quanto estamos nos mobilizando de uma forma dissociada, anti-humana, robotizada. E uma dessas formas é adoecendo.

É através do espanto, do impacto que a doença nos provoca,  que vamos ao passado buscar causas ou então nos refugiamos no futuro, lamentando-nos do que a nossa limitada visão nos mostra, das possibilidades que não teremos mais. O que não nos damos conta, no entanto, são as possibilidades presentes, do aqui e agora, do que é possível fazer para melhorar nossa qualidade de vida. Podemos sonhar, desejar, mas viver só é possível no presente. E as mudanças, sejam comportamentais, de valores, sejam de percepções, concepções, só são possíveis de acontecer no presente. 

Maria Balbina de Magalhães Gappmayer*

* Psicóloga e Gestalt-terapeuta há mais de 17 anos. Faz parte do corpo clínico do Instituto Müller-Granzotto (IMG). Coordenadora do curso Gestalt e Saúde: Psicologia das doenças somáticas, que iniciará em junho de 2012 no IMG.

2 comentários:

  1. Belo texto. Somos míopes em muitas coisas, apesar de visualizar mesmo que pequena uma certa evolução nesse sentido. Sair do seu "mundinho" e visualizar o todo não é tão simples.
    Tenho um Blog onde publico textos sobre relacionamentos, sentimentos, sensações...
    Quem tiver interesse, sinta-se a vontade.

    Abraços,
    Frederico da Luz

    ResponderExcluir
  2. TESTO MUITO BOM VLW AJUDO MUITO NO MEU TRABALHO

    ResponderExcluir